quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Noventa segundos no sinal


Sempre à espera, a espera de um beijo, um abraço, um olhar carinhoso, um aperto de mão, uma palavra amiga, um minuto de atenção... O povo espera como uma criança que é apaixonada por histórias em quadrinhos pela próxima edição, nesse caso, pelo próximo comício. A pouco tempo do segundo turno das eleições, não é difícil encontrar pelas principais avenidas da cidade, fotografias que confirmam que o povo precisa de um herói, um salvador, alguém que os aperte contra o peito e leve-os para longe dali mesmo que por um minuto.
       Noventa segundos parada no sinal, vendo toda aquela propaganda eleitoral foi o suficiente para relembrar a época de criança, onde os heróis existiam e vestiam lindas capas vermelhas ou usavam anéis que brilhavam a qualquer sinal de perigo, e onde a união deles, poderia salvar o mundo. Fazer com que todos relembrem essa época é fundamental para conquistar a confiança, a admiração, a gratidão do outro e em “tempos de política” essa é também a melhor forma de conquistar um voto. Afinal de contas, os heróis tem o poder de mudar o rumo da história.
 Super-Homem, por exemplo, é aquele que nos atrai pela diferença, pelo distanciamento que provoca com relação à tão fatídica realidade humana, mas principalmente, pela igualdade. Não seria ele tão interessante se não existisse o Clarck Kent. Você nunca se perguntou como um personagem criado em uma época tão diferente, pode resistir ao tempo e as mudanças causadas por ele? Ou como o mesmo personagem pode despertar a mesma sensação em públicos variados, em séculos diferentes? Pois bem, o segredo do sucesso está no lado humano do herói e na capacidade de mesmo sendo divino, escolher viver como humano.
Assim deve ser um político, Clark e Super-man, para se aproximar do ser humano comum e criar um ponto de referência, porque a partir dai qualquer um pode se sentir capaz de ser um super-homem e principalmente, qualquer um pode vê-los como alguém que é igual a ele. Pois Clark Kent também é uma forma de tornar o herói frágil. Diante dessa imagem mitológica do homem que tudo pode, vê-se a necessidade e o cuidado de deixar claro que ele não é Deus, de que, embora forte, inteligente e com tantos poderes, alguns inclusive incompreensíveis, Super-man ou super-homem, personagem criado e ambicionado em uma época dura para toda a humanidade é um ser limitado, como eu, como você. E a única forma de ajuda-lo a salvar o mundo é acreditar nele.

Adrielly Magly







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