segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Cazuza tinha razão




Uma, duas, três, quatro... Vinte e cinco vezes. Durante uma hora no ponto de ônibus, um senhor de cabelos grisalhos, estatura mediana e mãos calejadas, olhou vinte e cinco vezes para o relógio. Sentou, levantou, falou ao celular, reclamou do ônibus que não passava, e quando questionado por outra senhora sobre a sua pressa, afirmou estar atrasado para o jantar. Absurdo? Não, tudo que isso menos pareceu, foi absurdo. Desde o momento em que somos gerados, estamos reféns de algo que se chama tempo.  

Qual a primeira coisa que fazemos, depois de abrir os olhos ao amanhecer? Olhamos o relógio (isso quando não é o relógio que nos olha primeiro, no acordar irritante do seu despertador). E qual a ultima coisa que fazemos antes de dormir? Olhar o relógio é um ritual tão importante nos dias de hoje, quanto a necessidade de comer. Talvez isso aconteça, pois precisamos ter a ilusão de controle do tempo.

Afinal de contas, temos um tempo para nascer, um tempo para crescer e quando não temos mais tempo... Morremos. Talvez seja por isso que aquele senhor tivesse tanta pressa, o relógio geralmente, costuma nos lembrar entre um tic-tac e outro, que o tempo esta escorregando pelas mãos e quando esperamos parado, a angústia da espera, lembra-nos que estamos deixando de fazer o que precisamos fazer: viver. Ou talvez, o que penso ser mais sensato, ele só quisesse jantar, pois o consciente tende a sufocar certas questões que inquietam o ser e enfraquecem o homem.

O fato, é que enquanto ele olhava o seu relógio, sentava, levantava, atendia o celular e reclamava... Enquanto a espera o deixava aflito, a fome inquietava o mendigo ao lado, o perigo acompanhava o cachorro no semáforo, a criança mastigava a bala do chão, o neto segurava a vó pela mão, duas mulheres ao lado lamentava a metástase de Regina Dourado (alguém que acredito eu, elas jamais tivessem visto pessoalmente), um casal namorava, o mundo girava e o tempo... O tempo apenas PASSAVA!
                                                                                                
                                                                                                  
                                                                                                    Adrielly Magly

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Isso é pra criança?




Uma mãe presenteia sua filha com um livro de culinária infantil da marca Hello Kitty. Um presente inocente à primeira vista, mas olhando com mais cuidado, a mãe percebeu que além de instruções voltadas para uma menina com idade entre sete e 12 anos, o manual continha também receitas de drinks feitos a base de uísque, vodka e conhaque. A primeira coisa que a consumidora fez, foi procurar o PROCON, em seguida, o órgão iniciou uma varredura na cidade para apreender o material.

A publicação é considerada abusiva e enganosa, segundo a lei nº 8078/90, do código de Defesa do consumidor. Todos os brinquedos foram recolhidos. Segundo a superintendente do Procon, Graciele Leal, foram dados 10 dias para as empresas Sanrio e a Editora Salvat do Brasil se pronunciarem sobre o caso, oito dias já se passaram. Ainda de acordo com Gracielle, as empresas devem ser autuadas, já que não há muito o que contestar. “A publicidade estava presente em todos os fascículos”, afirma.
A autuação foi encaminhada ao Ministério Público e à Secretaria Nacional do Consumidor, (Senacon). Isso nos leva a fazer um questionamento: que tipo de adolescente ou adulto queremos no futuro? As crianças são alvos da publicidade o tempo todo. Infelizmente são expostas à situações constrangedoras, mas daí, uma marca transvestida de infantil, trazer “subliminarmente” receitas contendo bebidas alcoólicas, é golpe baixo.

A mãe e a criança poderiam passar despercebidas pelos trechos, e assim, os fascículos seriam vendidos normalmente. Por sorte o material caiu nas mãos de uma mãe atenta, mas que poderia muito bem estar despreocupada, já que o produto era infantil. Porém um material supostamente ingênuo escondia uma armadilha. Uma lógica cruel, que infelizmente ainda acontece, porque há impunidade, assim como a maioria dos crimes praticados no Brasil.

Raquel Santana


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Noventa segundos no sinal


Sempre à espera, a espera de um beijo, um abraço, um olhar carinhoso, um aperto de mão, uma palavra amiga, um minuto de atenção... O povo espera como uma criança que é apaixonada por histórias em quadrinhos pela próxima edição, nesse caso, pelo próximo comício. A pouco tempo do segundo turno das eleições, não é difícil encontrar pelas principais avenidas da cidade, fotografias que confirmam que o povo precisa de um herói, um salvador, alguém que os aperte contra o peito e leve-os para longe dali mesmo que por um minuto.
       Noventa segundos parada no sinal, vendo toda aquela propaganda eleitoral foi o suficiente para relembrar a época de criança, onde os heróis existiam e vestiam lindas capas vermelhas ou usavam anéis que brilhavam a qualquer sinal de perigo, e onde a união deles, poderia salvar o mundo. Fazer com que todos relembrem essa época é fundamental para conquistar a confiança, a admiração, a gratidão do outro e em “tempos de política” essa é também a melhor forma de conquistar um voto. Afinal de contas, os heróis tem o poder de mudar o rumo da história.
 Super-Homem, por exemplo, é aquele que nos atrai pela diferença, pelo distanciamento que provoca com relação à tão fatídica realidade humana, mas principalmente, pela igualdade. Não seria ele tão interessante se não existisse o Clarck Kent. Você nunca se perguntou como um personagem criado em uma época tão diferente, pode resistir ao tempo e as mudanças causadas por ele? Ou como o mesmo personagem pode despertar a mesma sensação em públicos variados, em séculos diferentes? Pois bem, o segredo do sucesso está no lado humano do herói e na capacidade de mesmo sendo divino, escolher viver como humano.
Assim deve ser um político, Clark e Super-man, para se aproximar do ser humano comum e criar um ponto de referência, porque a partir dai qualquer um pode se sentir capaz de ser um super-homem e principalmente, qualquer um pode vê-los como alguém que é igual a ele. Pois Clark Kent também é uma forma de tornar o herói frágil. Diante dessa imagem mitológica do homem que tudo pode, vê-se a necessidade e o cuidado de deixar claro que ele não é Deus, de que, embora forte, inteligente e com tantos poderes, alguns inclusive incompreensíveis, Super-man ou super-homem, personagem criado e ambicionado em uma época dura para toda a humanidade é um ser limitado, como eu, como você. E a única forma de ajuda-lo a salvar o mundo é acreditar nele.

Adrielly Magly







quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Debate?



 Pelegrino e ACM Neto
Ontem nos Estados Unidos o segundo debate entre o democrata, Barack Obama, e o republicano, Mitt Romney, fez com que todas as atenções se voltassem para a Universidade Hofstra, a 40 km de Nova York. Na mesma parte do globo, mais ao sul, o clima de eleições ainda toma conta das cidades, principalmente daquelas onde vai ocorrer segundo turno, como em nossa querida capital baiana.
Em um confronto de ideias mais discreto, porém não menos importante para nós soteropolitanos e moradores de Salvador, o petista Nelson Pelegrino e o democrata ACM Neto protagonizaram o primeiro debate do segundo turno, na Associação Comercial Baiana, ACB, hoje (17) pela manhã.
Vou fazer uma rápida análise sobre o debate, e peço desculpas antecipadas pela minha visão rasa sobre política. Mas vamos lá!  O primeiro fato que chamou a minha atenção foi a diferença de altura entre os candidatos, sei que tamanho não é documento, mas é quase impossível não notar e mais difícil ainda é conter o riso. Um olhar rápido faz a gente pensar que é um homem e um menino, visão que não permanece por muito tempo.
Diante de uma plateia atenta, formada por jornalistas, políticos, membros da ACB e da sociedade civil, Neto e Pelegrino falaram sobre seus projetos na área de turismo, comércio, transportes, entre outras. Mas o principal assunto foi o apoio dos governos estadual e federal ao futuro gestor de Salvador.
Sempre que Nelson Pelegrino destacava que as parcerias com o governador, Jaques Wagner, e a presidente, Dilma Rousseff, são fundamentais, ACM Neto rebatia dizendo que Salvador pode andar com as próprias pernas. O tom de agressividade entre os candidatos chamou mais a atenção do que a discussão das propostas. Os prefeituráveis não pouparam críticas nem acusações. E quando a mediadora do debate se equivocou, dando um direito de resposta que Pelegrino não tinha, Neto contestou... Pelegrino rebateu... e uma discussão foi inevitável.
Em um debate onde cada segundo foi valorizado, faltou utilizar o tempo para discutir ideias, projetos, soluções. Me perdoem o clichê, mas ele se faz necessário, a impressão que tive é que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Explico, acredito que Salvador quer mudança. A cidade precisa de um prefeito novo, que resolva os problemas vividos pelos seus moradores. A chance de escolher alguém competente está novamente nas mãos dos eleitores, precisamos votar! Mas em quem? O Democratas e o  Petista estavam mais preocupados em saber quem é mais amigo de Wagner e Dilma. Então, não dá para não votar, porém nestas eleições escolher um candidato, não será uma tarefa fácil. Eu penso também que optar pelo voto branco ou nulo não parece, neste momento, uma boa decisão.

Na conclusão Pelegrino afirmou que tem mais capacidade de sentar com o governador, Jaques Wagner, e com a presidente, Dilma Rousseff, para discutir e criar projetos que melhorem a vida de quem mora em Salvador.  Já ACM Neto finalizou destacando que não vai errar se for eleito. Mas cá entre nós, eu não confio em quem depende muito dos outros para realizar seus projetos, nem acredito em homens que não erram.

  Ana Paula Lima