Uma mãe presenteia sua filha com
um livro de culinária infantil da marca Hello Kitty. Um presente inocente à
primeira vista, mas olhando com mais cuidado, a mãe percebeu que além de instruções
voltadas para uma menina com idade entre sete e 12 anos, o manual continha
também receitas de drinks feitos a base de uísque, vodka e conhaque. A primeira
coisa que a consumidora fez, foi procurar o PROCON, em seguida, o órgão iniciou
uma varredura na cidade para apreender o material.
A publicação é considerada
abusiva e enganosa, segundo a lei nº 8078/90, do código de Defesa do
consumidor. Todos os brinquedos foram recolhidos. Segundo a superintendente do
Procon, Graciele Leal, foram dados 10 dias para as empresas Sanrio e a Editora
Salvat do Brasil se pronunciarem sobre o caso, oito dias já se passaram. Ainda
de acordo com Gracielle, as empresas devem ser autuadas, já que não há muito o
que contestar. “A publicidade estava presente em todos os fascículos”, afirma.
A autuação foi encaminhada ao Ministério Público e à Secretaria Nacional do
Consumidor, (Senacon). Isso nos leva a fazer um questionamento: que tipo de
adolescente ou adulto queremos no futuro? As crianças são alvos da publicidade
o tempo todo. Infelizmente são expostas à situações constrangedoras, mas daí,
uma marca transvestida de infantil, trazer “subliminarmente” receitas contendo
bebidas alcoólicas, é golpe baixo.
A mãe e a criança poderiam passar despercebidas pelos trechos, e assim, os fascículos seriam vendidos normalmente. Por sorte o material caiu nas mãos de uma mãe atenta, mas que poderia muito bem estar despreocupada, já que o produto era infantil. Porém um material supostamente ingênuo escondia uma armadilha. Uma lógica cruel, que infelizmente ainda acontece, porque há impunidade, assim como a maioria dos crimes praticados no Brasil.
Raquel Santana

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