Uma, duas, três,
quatro... Vinte e cinco vezes. Durante uma hora no ponto de ônibus, um senhor
de cabelos grisalhos, estatura mediana e mãos calejadas, olhou vinte e cinco
vezes para o relógio. Sentou, levantou, falou ao celular, reclamou do ônibus
que não passava, e quando questionado por outra senhora sobre a sua pressa,
afirmou estar atrasado para o jantar. Absurdo? Não, tudo que isso menos
pareceu, foi absurdo. Desde o momento em que somos gerados, estamos reféns de
algo que se chama tempo.
Qual a primeira coisa
que fazemos, depois de abrir os olhos ao amanhecer? Olhamos o relógio (isso
quando não é o relógio que nos olha primeiro, no acordar irritante do seu
despertador). E qual a ultima coisa que fazemos antes de dormir? Olhar o
relógio é um ritual tão importante nos dias de hoje, quanto a necessidade de
comer. Talvez isso aconteça, pois precisamos ter a ilusão de controle do tempo.
Afinal de contas, temos
um tempo para nascer, um tempo para crescer e quando não temos mais tempo... Morremos.
Talvez seja por isso que aquele senhor tivesse tanta pressa, o relógio geralmente,
costuma nos lembrar entre um tic-tac e outro, que o tempo esta escorregando
pelas mãos e quando esperamos parado, a angústia da espera, lembra-nos que estamos
deixando de fazer o que precisamos fazer: viver. Ou talvez, o que penso ser mais
sensato, ele só quisesse jantar, pois o consciente tende a sufocar certas questões
que inquietam o ser e enfraquecem o homem.
O fato, é que enquanto
ele olhava o seu relógio, sentava, levantava, atendia o celular e reclamava...
Enquanto a espera o deixava aflito, a fome inquietava o mendigo ao lado, o
perigo acompanhava o cachorro no semáforo, a criança mastigava a bala do chão,
o neto segurava a vó pela mão, duas mulheres ao lado lamentava a metástase de
Regina Dourado (alguém que acredito eu, elas jamais tivessem
visto pessoalmente), um casal namorava, o mundo girava e o tempo... O tempo
apenas PASSAVA!
Adrielly Magly


